segunda-feira, 24 de março de 2014

A amizade real

Um grande senhor que soubera amontoar sabedoria, além da riqueza, auxiliava diversos amigos pobres, na manutenção do bom ânimo, na luta pela vida. 
Sentindo-se mais velho, chamou o filho à cooperação. O rapaz deveria aprender com ele a distribuir gentilezas e bens. 
Para começar, enviou-o à residência de um companheiro de muitos anos, ao qual destinava trezentos cruzeiros mensais. 
O jovem seguiu-lhe as instruções. 
Viajou seis quilômetros e encontrou a casa indicada. Contrariando-lhe a expectativa, porém, não encontrou um pardieiro em ruínas. O domicílio, apesar de modesto, mostrava encanto e conforto. Flores perfumavam o ambiente e alvo linho vestia os móveis com beleza e decência. 
O beneficiário de seu pai cumprimentou-o, com alegria efusiva, e, depois de inteligente palestra, mandou trazer o café num serviço agradável e distinto. 
Apresentou-lhe familiares e amigos que se envolviam, felizes, num halo enorme de saúde e contentamento. 
Reparando a tranquilidade e a fartura, ali reinantes, o portador regressou ao lar, sem entregar a dádiva. 
— Para quê? — confabulava consigo mesmo — aquele homem não era um pedinte. Não parecia guardar problemas que merecessem compaixão e caridade. Certo, o genitor se enganara. 
De volta, explicou ao velho pai, partícularizadamente, quanto vira, restituindo-lhe a importância de que fora emissário. 
O ancião, contudo, após ouvi-lo calmamente, retirou mais dinheiro da bolsa, dobrou a quantia e considerou: 
— Fizeste bem, tornando até aqui. Ignorava que o nosso amigo estivesse 
sob mais amplos compromissos. Volta à residência dele e, ao invés de 
trezentos, entrega-lhe seiscentos cruzeiros, mensalmente, em meu nome, de 
ora em diante. A sua nova situação reclama recursos duplicados. 
— Mas, meu pai — acentuou o moço —, não se trata de pessoa em posição 
miserável. 
Ao que suponho, o lar dele possui tanto conforto, quanto o nosso. 
Folgo bastante com a noticia — exclamou o velho. 
E, imprimindo terna censura à voz conselheira, acrescentou: 
— Meu filho, se não é lícito dar remédio aos sãos e esmolas aos que não precisam delas, semelhante regra não se aplica aos companheiros que Deus nos confiou. Quem socorre o amigo, apenas nos dias de extremo infortúnio, pode exercer a piedade que humilha ao invés do amor que santifica. Quem espera o dia do sofrimento para prestar o favor, muita vez não encontrará senão silêncio e morte, perdendo a melhor oportunidade de ser útil. Não devemos exigir que o irmão de jornada se converta em mendigo, a fim de parecermos superiores a ele, em todas as circunstâncias. Tal atitude de nossa parte representaria crueldade e dureza. Estendamos-lhe nossas mãos e façamo-lo subir até nós, para que nosso concurso não seja orgulho vão. Toda gente no mundo pode consolar a miséria e partilhar as aflições, mas raros aprendem a acentuar a alegria dos entes amados, multiplicando-a para eles, sem egoísmo e sem inveja no coração. O amigo verdadeiro, porém, sabe fazer isto. Volta, pois, e atende ao meu conselho para que nossa afeição constitua sementeira de amor para a eternidade. Nunca desejei improvisar necessitados, em torno de nossa porta e, sim, criar companheiros para sempre.
Foi então que o rapaz, envolvido na sabedoria paterna, cumpriu quanto lhe fora determinado, compreendendo a sublime lição de amizade real.

Alvorada Cristã - Chico Xavier / Neio Lúcio - Cap. 18.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Percebi


O verdadeiro conhecimento é construído. E, não é perdido nunca.
Observo aqueles que buscam nas bebidas alcoólicas, nas drogas, nas noites e festas lenitivo ou felicidade para a vida. Não ajo assim, pois para mim é importante estar limpo, pois não sei quando serei chamado ao trabalho, e mais, tenho que zelar pelo meu corpo, que me foi dado com o propósito de oportunizar experiências que levam ao melhoramento. Mas entendo que muito pouco valerá este cuidado, se eu não buscar amparar e compreender os que andam por estes caminhos.
Sou vegetariano, essa é uma renúncia que faço pelos meus irmãos animais e pelo planeta. Mas não sou soberbo ao ponto de querer, nem em pensamento, que sigam minha postura, sei que isso é escolha pessoal e ela por si não “salvará” ninguém, pois acima desta renúncia está a reforma verdadeira dos sentimentos.
Tenho minha religiosidade e fico feliz ao ver cada um com a sua, fico triste por aqueles que em nada acreditam. Procuro não abrir meus lábios para denegrir as escolhas e ideais de cada um.
Mas porque as pessoas se sentem tão incomodadas com as escolhas e rumos diferentes daqueles por elas idealizados?
E, neste vaivém de ideias, me pergunto novamente, o porque que as pessoas querem sempre alguém pensando como elas pensam, agindo como elas agem, sonhando como elas sonham, andando como elas andam, buscando a felicidade como elas buscam?
E, um pensamento vindo como brisa me veio ante o questionamento:
_ Uma das hipóteses é para elas não se sentirem sozinhas em seu mundo e em suas vidas.
Então, percebi...
Percebi que pessoas que agem assim tem medo da solidão, de se olhar, de se conhecerem, de se descobrirem frágeis e humanas... sim, medo de se descobrirem humanas, portadoras de sentimentos variáveis, de medos, de frustações e limitações.
Percebi que como crianças estão descobrindo o mundo, as leis da vida e como funcionam os mecanismos do coração.
Percebi que quando somos sólidos em nossas verdades, quando nosso mundo íntimo já não é tão desconhecido, quando nos percebemos simples, frágeis e não melhores que ninguém; enfim, quando as máscaras do orgulho caem é como se percebêssemos que tudo está no local certo, mesmo que temporariamente, mas onde devem estar, movidas pelas escolhas de cada um.
Percebi que a própria Lei Divina se encarregará de colocar tudo no devido lugar na hora certa e no momento oportuno.
Percebi que quando queremos mudar o outro a ferro e fogo, na realidade o que existe em nós é uma intolerância ao modo de ser do nosso semelhante, tornando-se mais fácil exigir mudança que se tornar compreensivo.
Percebi que nos tornamos fortes e acima dos julgamentos movidos pelo senso comum, quando buscamos ver  além das aparências.
Percebi que felicidade é quando buscamos amar  a tudo e a todos que o Pai vai colocando em nosso caminho.
Percebi que nos cabe buscar sintonia com o Criador e por si só todos os atos se tornarão agentes impulsionadores da prosperidade planetária.

                                                                                                                          Ivaldo Alves da Silva Junior

Vir a ser


Todos possuímos nossas crenças, valores, verdades e sentimentos. E, bom seria se soubéssemos respeitar as diferenças, as limitações individuais e o espaço de cada um na sociedade.
Mas a realidade é que grande maioria das pessoas, ainda estão em via de desenvolvimento para o  entendimento e a vivência, perante os direitos fundamentais e ordenamentos jurídicos vigentes, quiçá falarmos de valores mais sutis.
O que vem a ser,  o vir a ser ou valores mais sutis? São as verdades reservadas aos de bom coração, aos simples  e bem aventurados mencionados por  Jesus.

                                                                                                                          Ivaldo Alves da Silva Junior

domingo, 2 de março de 2014

Experiências



Hoje o Pai me colocou de frente a dor de meus irmãos, e neste momento senti que não está no plano da criação tanto sofrer.  Então porque, ela estava ali tão evidente e real? Desta vez pelas evidências concluí que tudo era devido as escolhas e caminhos tomados pelos companheiros. Apesar de tudo observei que estas almas estavam mais limpas e desarmadas em relação ao "normal" delas, ou melhor,  vi que este sim é o estado normal delas, que só ressurgiu pela dor... e aí evidenciei mais uma vez na vida o significado e o jogo de palavras usado pelo irmão, amigo e mestre Francisco de Assis, quando ao se referir a ela falava "irmã dor".
Mas todas estas experiências estavam fora me mim... quando deixei de olhar para fora, observei que no comodismo do meu dia, estas dores estavam ali, ao meu lado e cego não as via por egoísmo. Percebi o quanto este mal nos distancia das pessoas  e de tudo que nos cerca... me veio a ideia do quanto que  perco da vida, sem mesmo saber que estou perdendo, parece paradoxo estas colocações, mas todos temos nossos ideais que não são bem compreendidos pelos que estão conosco caminhando no dia-dia...  na verdade somos etnocêntricos e nos julgamos acima dos outros. Mas tenho certeza que um dia o mundo estará livre de tudo isto, particularmente, acredito nas palavras de Jesus que fala que nenhum mal perdurará.
Só me resta agradecer ao Pai a oportunidade desta vida e que eu consiga me livrar cada vez mais da cegueira que ainda me toma conta.
 E, que estes companheiros aqui mencionados, continuem sendo amparados por Ti Pai de supremo amor e bondade!

                                                                                                                    Ivaldo Alves da Silva Junior